Principais Traduções da Bíblia para o Português Usadas no Brasil Protestante

Conteúdo

I. Introdução

  1. Justificativa e Teor deste Trabalho
  2. Principais Traduções da Bíblia para o Português Disponíveis Hoje

II. As Traduções / Versões Almeida

  1. A Tradução Almeida Original (A-O) (1676-1693, 1750-1753, 1819, 1860)
  2. A Versão / Tradução Almeida Revista e Corrigida (A-RC) (1898)
  3. A Versão / Tradução Almeida Revista e Atualizada (A-RA) (1959, 1993)
  4. A Versão Almeida Revisada (A-R) (1967, 1974)
  5. A Versão Almeida Corrigida Fiel (A-CF) (1994)

III. A Tradução Brasileira (TB) (1917, 2010)

IV. A Bíblia Viva e A Nova Bíblia Viva (1981, 2014)

V. A (Nova) Tradução para a Linguagem de Hoje (TLH/NTLH) (1988)

VI. A Nova Versão Internacional (NVI) (2000)

NOTAS

I. Introdução

1. Justificativa e Teor deste Trabalho

Atualmente há muitas traduções da Bíblia para o Português, patrocinadas por entidades caracteristicamente protestantes e católicas (e também por entidades ecumênicas ou que não se caracterizam por ser nem protestantes, nem católicas, nem ecumênicas). Neste artigo vou me concentrar naquelas traduções que me parecem ser as mais importantes, em especial tendo em vista o público protestante leigo: crentes interessados na escolha daquele que poderíamos chamar de o melhor texto bíblico em Português, isto é, o texto bíblico que seja, de um lado, fiel, tanto quanto possível, aos melhores manuscritos que temos do Velho e do Novo Testamento, e, de outro lado, de leitura relativamente fácil e  agradável, usando termos e construções sintáticas que o brasileiro de hoje que tenha passado pela educação compulsória em uma escola pública possa entender sem grandes complicações.

Ouso esperar, também, que trabalho seja igualmente para estudantes de Teologia e mesmo pastores que busquem achar, num lugar só, as principais características das principais edições da Bíblia em Português disponíveis no mercado. O texto, admito de pronto, não tem grande originalidade nem de conteúdo, nem de forma. É mais uma compilação de informação facilmente encontrável na Internet, mas disponível em diversos sites – mais de duas dezenas – acrescida de informações fornecidas pelas Introduções de mais de vinte diferentes cópias da Bíblia em Português (tenho outro tanto em outras línguas) que eu possuo em minha biblioteca pessoal. Fique claro, também, que não escrevo, de modo algum, para especialistas em Traduções e na Crítica do Texto Bíblico do Velho e do Novo Testamento que têm fácil acesso a material mais profundo e sofisticado do que este [1] [2] [3].

2. Principais Traduções da Bíblia para o Português Disponíveis Hoje

Hoje em dia, as principais traduções da Bíblia para o Português (principais no que diz respeito à sua acessibilidade e consequente popularidade) são basicamente seis, quatro das quais publicadas sob os auspícios da Sociedade Bíblica Brasileira – SBB [4]. As Bíblias publicadas pela SBB são:

  • Almeida Revisada e Corrigida (A-RC), a primeira principal sucessora da Almeida Original
  • Almeida Revisada e Atualizada (A-RA), a segunda principal sucessora da Almeida Original, e sucessora também da A-RC
  • Nova Tradução para a Linguagem de Hoje (NTLH), nova tradução, em linguagem contemporânea, sucessora da Tradução para a Linguagem de Hoje (TLH)
  • Tradução Brasileira (TB), uma tradução antiga, do início do Século 20, que ainda se sustenta mediante o apoio da SBB

Entre as edições Almeida há uma, a chamada Almeida Revisada (AR), que não é publicada pela SBB, como se verá abaixo, na Seção 4 do segundo capítulo.

As quatro edições da SBB estão disponíveis no formato de e-books (edições digitais para equipamentos móveis), gratuitamente, no app “Minha-Bíblia-SBB” (ou “minhabibliasbb”) [5], disponível tanto para telefones e tablets da linha Android como para os produtos equivalentes da linha Apple. Essas traduções também estão disponíveis como e-books no popular formato Kindle, da Amazon, mas, neste caso, não são gratuitas, custando um pouco menos de dez reais cada ou dois dólares e meio cada a preços do final de Dezembro de 2015.

Sob auspícios de outras instituições também há também as seguintes traduções que coloco entre as principais:

  • Nova Versão Internacional (NVI)
  • Bíblia Viva / A Nova Bíblia Viva

Dada sua importância, gastarei a primeira seção do segundo capítulo falando da tradução Almeida Original (A-O) – que, como se verá, é um sequência de traduções e revisões, iniciada por João Ferreira de Almeida no Século 17 e revisada nos Séculos 18 e 19. A maior parte das versões Almeida publicadas atualmente são, em algum sentido, revisões da  A-O, mas, em alguns casos, são revisões tão drásticas que, para falar a verdade, devem ser consideradas novas traduções. Mas como mantém um estilo e um tom familiar para o leitor que acompanha a sequência de revisões e traduções Almeida, mantém-se o nome – literalmente, a “marca” Almeida [6].

II. As Traduções / Versões Almeida.

1. A Tradução Almeida Original (A-O) (1676-1693, 1750-1753, 1819, 1860)

A primeira tradução da Bíblia que carrega o nome de João Ferreira de Almeida foi feita no Século 17, continuamente revisada e parcialmente refeita no Século 18, e, posteriormente, refeita nos Séculos 19 e 20, é considerada um marco na história da Bíblia em Português porque foi a primeira tradução da Bíblia para o Português feita a partir das línguas originais (Hebraico e Grego – e, no caso de pequenos trechos, Aramaico, mas os trechos em Aramaico são tão poucos e pequenos que podem ser desconsiderados) [7].

Consta que, em 1642, quando tinha apenas 14 anos, João Ferreira de Almeida (nascido em 1628, portanto, 104 anos depois de Luís de Camões) deixou Portugal para viver na Malásia. Pouco tempo antes ele havia ingressado no protestantismo, vindo do catolicismo, e transferia-se para a Ilha de Java (onde fica Jakarta), na Indonésia, com o objetivo de trabalhar na Igreja Reformada Holandesa local [8].

Almeida já conhecia a Vulgata (principal tradução da Bíblia para o Latim, feita por, e sob os auspícios de, São Jerônimo, no fim do Século 4 e início do 5), pois seu tio era padre e essa sempre foi, historicamente, a tradução da Bíblia para o Latim privilegiada pela Igreja Católica Romana (sendo mais do que possível, provável, que Almeida tenha estudado em uma escola católica até se converter para o Protestantismo. Almeida começou traduzindo importantes partes da Bíblia para o Português a partir de traduções existentes para outros idiomas que ele conhecia. Aos 16 anos, por exemplo, traduziu um resumo dos evangelhos do Espanhol para o Português, que nunca chegou a ser publicado. Na Malásia traduziu partes do Novo Testamento também do Espanhol. Aos 17, traduziu o Novo Testamento do Latim, da versão de Teodoro de Beza (reformador em Genebra no Século 16, braço direito de João Calvino [9]), apoiando-se em traduções dessa obra feitas para o Italiano, o Francês e o Espanhol.

Aos 35 anos, iniciou a tradução que o tornou famoso, a partir dos idiomas originais, Hebraico e Grego, embora seja um pouco misterioso como ele veio a aprender essas línguas [10].

Naquela época, a hoje chamada “Baixa Crítica” (crítica basicamente textual dos manuscritos bíblicos [11]) ainda não existia. Assim, não havia versões do texto original criticamente elaboradas a partir dos melhores manuscritos (os mais antigos e confiáveis). Por isso, Almeida usou como base para sua tradução o chamado “Texto Massorético” [12] para o Antigo Testamento e uma edição de 1633 (pelos irmãos Elzevir) do chamado “Textus Receptus[13] para o Novo Testamento. Utilizou, também, no processo, traduções famosas da época, em especial a chamada Reina-Valera, para o Espanhol [14], a língua mais próxima do Português.

A tradução do Novo Testamento feita por Almeida ficou basicamente pronta em 1676. O texto foi enviado para a Holanda para revisão. O processo de revisão durou cinco anos, sendo o texto revisto sido publicado em 1681, após terem sido feitas, pelo que consta, inúmeras modificações (mais de mil, segundo alguns). A razão é que os revisores holandeses queriam harmonizar a tradução portuguesa com a principal tradução do Novo Testamento para o Holandês, publicada em 1637. O próprio Almeida continuou a revisar o texto durante dez anos, sendo uma nova edição publicada na Batávia, após a sua morte, em 1693. Enquanto revisava, trabalhava também na tradução do Velho Testamento.

No tocante ao Velho Testamento, o Pentateuco ficou pronto em 1683. Há uma tradução dos Salmos que foi publicada em 1695. Quanto ao restante, Almeida conseguiu traduzir até Ezequiel 48:12 antes de morrer, em 1691, tendo Jacobus op den Akker completado a tradução nos três anos seguintes, concluindo-a em 1694.

A primeira edição da tradução completa da Bíblia de Almeida foi publicada, após mais revisões, em dois volumes, o primeiro em 1750-1753, revisto pelo próprio den Akker e por Cristóvão Teodósio Walther, e o segundo em 1753.

Em 1819, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira publicou uma segunda edição da Bíblia completa, agora em um volume.

Uma terceira edição foi publicada em 1860, pela mesma Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

Depois dessa terceira edição, foi feita uma nova versão da tradução, em 1898, que passou a ser chamada de Almeida Revisada e Corrigida (ou Correcta) – A-RC. Como essa versão já utilizou outros manuscritos além do “Texto Massorético” e do “Textus Receptus”, ela merece a distinção de ser considerada uma nova versão, ou mesmo uma nova tradução, que será discutida em seção à parte: vide abaixo, seção 2 deste capítulo. Por causa disso, esta também é a primeira edição da tradução feita por Almeida que se baseia, em grande medida, no chamado “Texto Crítico” [15].

O trabalho de João Ferreira de Almeida é para a língua portuguesa o que a Bíblia de Lutero é para língua alemã [16], o que a Bíblia do Rei Tiago (King James Bible[17] significa para a língua inglesa e o que a Bíblia da Reina-Valera [18] representa para a língua espanhola. Teófilo Braga, ao comentar a versão original de Almeida, disse: “É esta tradução o maior e mais importante documento para se estudar o estado da língua portuguesa no Século 18.”

No entanto, a única tradução atual para o Português que utiliza os mesmos textos-base em Grego e Hebraico que foram utilizados por João Ferreira de Almeida é a chamada versão Almeida Corrigida Fiel (A-CF), de 1994, publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (vide abaixo, Seção 5), e geralmente utilizada por setores mais conservadores, quando não fundamentalistas, do Cristianismo.

As demais versões atuais, embora utilizem o nome “Almeida”, como a Almeida Revista e Corrigida (A-RC), de 1898, e a Almeida Revista e Atualizada (A-RA), baseiam-se em maior ou menor grau nos manuscritos do chamado Texto Crítico, que passou a ser utilizado somente a partir do Século 19. Por isso, são mais novas traduções do que meras versões da tradução de Almeida, como se observou atrás (último parágrafo do primeiro capítulo), embora façam questão de continuar a usar a “marca” Almeida.

2. A Versão / Tradução Almeida Revista e Corrigida (A-RC) (1898)

A Almeida Revista e Corrigida foi a primeira Bíblia completa a ser impressa no Brasil – fato que se deu em 1898. Houve revisões dessa tradução em 1969, 1995, e 2009 – que é a revisão que está atualmente em circulação [19].

Uma das características da A-RC é sua linguagem clássica, praticamente erudita. Essa tradução preza pela equivalência formal, ou seja, procura reproduzir no texto traduzido os aspectos formais do texto bíblico em suas línguas originais (Hebraico e Grego). No tempo em que Almeida publicou sua tradução original era costume dos tradutores indicar pelo tipo itálico (inclinado) toda e qualquer palavra que precisasse ser inserida na tradução para que tivesse sentido. Essa prática foi fielmente conservada pela A-RC. A presente edição incorpora as mudanças previstas na reforma ortográfica da língua portuguesa vigente a partir de 2009.

A A-RC foi a tradução que usei quando jovem. Minhas duas primeiras Bíblias, que eu ainda tenho (embora um pouco “detonadas”) são A-RC.

Eis como ela traduz Gênesis 1:1-4a:

“No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz”.

Em outro exemplo, eis como ela traduz João 3:16:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Basta que eu olhe na tradução desses trechos para saber se se trata da A-RC ou de outra versão / tradução.

Porque segue o princípio de tradução por equivalência formal, a A-RC é ainda adotada por grande número de igrejas evangélicas em países de fala portuguesa, e especialmente no Brasil e em Portugal [20].

3. A Versão / Tradução Almeida Revista e Atualizada (A-RA) (1959, 1993)

A A-RA é uma das Bíblias mais populares e mais utilizadas atualmente no Brasil, devido a sua ampla aceitação no meio Protestante. Baseada na A-RC, edição de 1898, a A-RA foi publicada em 1959 pela Sociedade Bíblica do Brasil, e é atualmente uma das mais usadas pelos protestantes brasileiros e bem aceita entre os católicos. Foi o resultado de treze anos de trabalho de cerca de trinta revisores, baseando-se no chamado Texto Crítico de manuscritos mais antigos do Hebraico e Grego que estavam disponíveis à época. Quanto à linguagem, procurou-se um equilíbrio entre a linguagem erudita e a popular. [21]

Apesar de se considerar que ela é baseada no texto de Almeida, ela se apresenta como uma nova e muito diferente tradução. Ela mantém o sabor clássico da Almeida antiga, mas substituiu as expressões que, em vez de sinais de erudição, se tornaram, com o tempo, arcaísmos, estando em alinhamento com novas evidências arqueológicas, evidências estas refletidas no Texto Crítico, diferindo, assim, da Almeida original.

O Novo Testamento da A-RA recebeu recomendação oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) da Igreja Católica Romana, fato sem precedentes – mesmo levando-se em conta que essa recomendação não tenha o reconhecimento do Vaticano, representando apenas uma declaração pastoral, não vinculativa para os fiéis católicos brasileiros, nem mesmo para os bispos individualmente considerados.

Essa versão também difere da versão anterior, a A-RC, pela fonte utilizada na tradução, especificamente no Novo Testamento, que, em vários lugares, coloca entre colchetes, relativa a determinados trechos do texto, a observação “não consta dos melhores manuscritos” – mas mantendo o texto ressalvado. Outras versões na língua portuguesa retiraram os referidos trechos e a observação entre colchetes, como é o caso da Nova Versão Internacional – NVI, da Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH, da Almeida Século 21 – A-21, entre outras.

Com relação ao Velho Testamento, o nome “Jeová”, para Deus, foi substituído pela palavra Senhor (em versalete). De resto, houve pouquíssimas mudanças no Velho Testamento em relação à A-RC.

A decisão de fazer uma revisão e atualização do texto da Bíblia de Almeida, no Brasil, foi tomada em 1943, cinco anos antes da fundação da Sociedade Bíblica do Brasil (na época, atuavam no Brasil duas sociedades bíblicas: a Britânica e Estrangeira e a Americana). A revisão do Novo Testamento, da qual participou a fina flor da erudição bíblica brasileira de então, foi concluída em 1951. A revisão do Antigo Testamento foi concluída em menos tempo, três anos (de 1953 a 1956), porque dois homens (Antonio de Campos Gonçalves e Paulo W. Schelp) trabalharam em regime de tempo integral, assessorados por um grande número de consultores e leitores externos. A Bíblia completa, na edição A-RA, foi publicada em 1959.

O propósito da revisão que resultou na A-RA era formatar um texto em “linguagem atualizada sem desnaturar certa linguagem bem antiga e tudo sem fugir ao original”. Isto significa que sua linguagem é bem menos arcaica e elitizada do que a da A-RC. Além disso, ela foi feita para ser lida em voz alta. De modo geral, a R-RA difere da A-RC em aproximadamente trinta por cento do texto.

Uma segunda edição de Almeida Revista e Atualizada foi publicada em 1993 [22].

Uma Bíblia que ganhei em Cuiabá, em Fevereiro de 1965, e que vem acrescida de uma “Chave Bíblica”, é a primeira Bíblia A-RA que eu adquiri. As duas passagens Bíblicas que eu mencionei na seção anterior (Gênesis 1:1-3 e João 3:16) têm pequenas variações na A-RA em relação à A-RC. Eu diria que as diferenças, nesses dois casos, são negligíveis (exceto, talvez, pelo finalzinho de João 3:16, em que a expressão “não pereça, mas” é omitida.

Eis como ela traduz Gênesis 1:1-4a:

“No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa”.

Em outro exemplo, eis como ela traduz João 3:16:

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.”

4. A Versão Almeida Revisada (A-R) (1967, 1974)

A Versão Revisada da tradução Almeida (também chamada de Versão Revisada de Acordo os Melhores Textos em Hebraico e Grego) foi lançada em 1967 no Rio de Janeiro pela Imprensa Bíblica Brasileira (divisão da Junta de Educação Religiosa e Publicações – JUERP, criada em 1907 pela Confederação Batista Brasileira) [23]. Os tradutores a consideram uma nova revisão da tradução de Almeida, sendo sua linguagem erudita (Português antigo e arcaico) baseada na Almeida Revista e Corrigida de 1898. A Versão Revisada, porém, está de acordo com os melhores manuscritos: os mais antigos e respeitados em exegese bíblica. Os proponentes da Versão Revisada a consideram uma tradução literal dos originais bíblicos.

A Versão Revisada foi realizada com o intuito de incorporar os avanços na escola eclética de crítica textual bíblica à Bíblia brasileira, e de atualizar vocabulário obsoleto, que era mal compreendido ou simplesmente não compreendido nem mesmo pelo leitor culto brasileiro.

Para o Novo Testamento, ela utilizou o texto Grego de Nestlé-Alland, 25ª edição.

A edição subsequente, de 1974, não sofreu alterações significativas.

A Versão Revisada foi sucedida pela Almeida Século 21, da mesma editora mas em parceria com outras editoras evangélicas brasileiras, sob coordenação de Luís Alberto Teixeira Sayão.

5. A Versão Almeida Corrigida Fiel (A-CF) (1994)

Esta é uma tradução para a língua portuguesa baseada na versão Almeida Revista e Corrigida e tem a característica de basear-se exclusivamente no chamado no “Texto Massorético” Hebraico para o Antigo Testamento e no chamado “Textus Receptus” Grego para o Novo Testamento, que foram aqueles usados por Almeida em sua tradução original, deixando de lado inclusões que aproveitavam novos manuscritos considerados parte do Texto Crítico [24].

Como se pode concluir, apenas deste primeiro parágrafo, esta tradução é favorecida pelos cristãos mais conservadores e fundamentalistas.

O método de tradução utilizado é a equivalência formal, que procura manter as classes gramaticais do original para a tradução: um verbo traduzido por um verbo, um substantivo por um substantivo, e assim em diante. Palavras adicionadas à tradução sem estarem presentes no texto original, com o objetivo de aumentar a clareza, são marcadas em itálico.

A postura oficial da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, que produziu e publica esta tradução, é defendê-la como a tradução mais fiel em língua portuguesa aos textos que ela considera mais fidedignos aos originais advindo daí o termo “Fiel”. Já a Sociedade Bíblica Trinitariana de língua inglesa (Trinitarian Bible Society), à qual a Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil está ligada, defende a versão da Bíblia King James como a mais fiel tradução da Bíblia na língua inglesa, sendo esta também traduzida a partir do “Texto Massorético” e do “Textus Receptus”. A Trinitarian Bible Society não é associada, porém, ao King-James-Only Movement internacional, e tem um ativo trabalho de tradução dos textos originais supracitados para diversas línguas através do globo.

A Almeida Corrigida Fiel foi publicada em 1994. Uma revisão foi lançada em 2007. No ano de 2011 uma nova edição foi publicada em consonância com o Novo Acordo Ortográfico que passou a vigorar nos países pertencentes à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

III. A Tradução Brasileira (TB) (1917, 2010)

Publicada como Bíblia completa em 1917, sob a coordenação de William Cabell Brown, a TB faz algum uso da tradução Almeida, mas esse uso é descrito como minoritário. O tipo de tradução é literal. A responsabilidade pela publicação foi da Sociedade Bíblica Americana até 1948 e é da Sociedade Bíblica do Brasil, desde então [25].

Originalmente chamada de Tradução Brazileira (assim, com “z”), a TB visava substituir a antiga versão Almeida de 1898 (a A-RC), oferecendo ao leitor uma tradução considerada bastante superior. Entre as características da tradução estão a literalidade e a fidelidade ao texto base, alcançada com a colaboração de vários eruditos brasileiros.

O trabalho de tradução tomou de 1902 a 1914, constituindo a comissão de tradução o Dr. Hugh Clarence Tucker (presidente, Metodista), os Revs. William Cabell Brown, Jr (coordenador, Episcopal), Eduardo Carlos Pereira (Presbiteriano Independente), Antônio B Trajano (Presbiteriano), John M Kyle (Igreja Presbiteriana do Norte dos Estados Unidos), John R Smith (Igreja Presbiteriana do Sul dos Estados Unidos), Alfredo Borges Teixeira (Presbiteriano Independente), Hipólito de Oliveira Campos (Metodista), Virgílio Várzea e Alberto Meyer (Nova Friburgo), entre outros. Colaboraram, também, Rui Barbosa, José Veríssimo e Heráclito Graça.

Os dois primeiros evangelhos foram editados em 1904, e, depois de alguma crítica e revisão, o Evangelho de Mateus saiu novamente em 1905. Todos os Evangelhos e o livro dos Atos dos Apóstolos foram publicados em 1906, e o Novo Testamento completo em 1908 (sob o nome de O Novo Testamento Traduzido em Português, Edição Brasileira). Publicada integralmente em 1917, essa tradução é erudita e bastante literal em relação aos textos originais.

A TB foi reeditada pela Sociedade Bíblica do Brasil, com atualizações ortográficas e gramaticais, entre outras, em 2010, também sob forma eletrônica.

É preciso registrar que a TB não foi do agrado de muitos leitores e igrejas, que preferiam manter aderência à antiquada, em termos linguísticos, versão Almeida. Uma das razões apontadas é a TB ter traduzido os nomes próprios hebraicos de uma maneira próxima àquela em que são pronunciados naquela língua, e não como usados tradicionalmente no Português brasileiro. Outras são a familiaridade pública com o texto de Almeida e o fato de a TB ser baseada em textos de tipo minoritário. Foram alegadas também deficiências de linguagem (hoje considerada bela), afastamento do literalismo e falta de revisões subsequentes. A TB é uma das versões criticadas pelos proponentes dos textos majoritariamente utilizados. Consequentemente, deixou de ser publicada por um longo período, basicamente toda a segunda metade do século XX, sendo retomada somente em 2010 pela Sociedade Bíblica do Brasil, quando foi reeditada, reimpressa e republicada.

Pela grande qualidade do literalismo de seu texto ela recebeu o apelido de Tira-Teima, sendo assim conhecida como TT.

Os exemplares ainda existentes dessa tradução em sua forma original são de difícil obtenção, sendo raros nos sebos (mercados livreiros de segunda mão) e alcançando preços relativamente altos para uma Bíblia moderna, embora ainda longe das faixas de preços praticadas por antiquários. Os exemplares ‘populares’ (capa dura) são mais comuns, menos bem conservados e mais volumosos que os ‘de luxo’ (encadernados em couro).

Entre suas peculiaridades:

O nome de Deus:

Uma das particularidades mais interessantes da Tradução Brasileira é o uso do nome de Deus no Velho. O nome Jeová aparece em todos os locais onde o texto hebraico adotado traz o Tetragrama YHVH. A Versão Brasileira não apresenta a forma JEHOVAH nas porções aramaicas da Bíblia, nem no Novo Testamento sendo traduzido estas partes com o título “Senhor”. Nas edições do início do século XX, a Versão Brasileira trazia o nome de Deus grafado ‘JEHOVAH’; na versão atual, ‘Jeová’.

Referências Marginais:

Trata-se de uma relação de referências marginais, ou referências cruzadas, que aparecem na coluna inferior de cada página dessa tradução da Bíblia. Desse modo, a Tradução Brasileira da Bíblia possibilita ao leitor uma comparação diligente das referências marginais e uma análise das notas acompanhantes que irão evidenciar a concordância da Bíblia como por inteira.

Coerência;

A Tradução Brasileira da Bíblia é coerente no uso das palavras “Seol, Cheol ou Sepultura” para transliterar o termo hebraico she’óhl, bem como no uso de “Hades” para o termo grego haí‧des, e “Geena” para o termo grego gé‧en‧na. (“Seol” é o equivalente hebraico da palavra grega “Hades” mas ambas não significam o mesmo que gé-en-na ).

As duas passagens Bíblicas que eu mencionei anteriormente (Gênesis 1:1-4a e João 3:16) têm pequenas variações em relação à A-RC (a única versão que existia antes dela). Eu diria que as diferenças, nesses dois casos, também são negligíveis.

Eis como ela traduz Gênesis 1:1-4a:

“No princípio, criou Deus o céu e a terra. A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por cima das águas. Disse Deus: Haja luz; e houve luz. Viu Deus a luz que era boa”.

Em outro exemplo, eis como ela traduz João 3:16:

“Pois assim amou Deus ao mundo que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

IV. A Bíblia Viva e A Nova Bíblia Viva (1981, 2014)

Lançada em 1981, a Bíblia Viva foi a primeira edição brasileira da Bíblia a contar com linguagem simplificada e de fácil compreensão. Ela foi concebida de acordo com os princípios de tradução que serviram de base para a pioneira Living Bible (EUA, 1971), que é uma tradução que se caracteriza mais como uma paráfrase do que realmente como uma tradução no sentido mais convencional. Certamente a Bíblia Viva está muito longe de ser uma tradução que pretende ser literal [26].

O apelo da Bíblia Viva foi imediato, principalmente entre jovens e pessoas recém-convertidas ao Cristianismo, especialmente aqueles que desconheciam os termos eruditos e as construções sintáticas formais e convolutas das traduções bíblicas mais antigas. Para muitos leitores, abri-la passou a ser como respirar, pela primeira vez, o ar puro da compreensão do texto bíblico.

Duas razões motivaram uma revisão da Bíblia Viva, revisão que recebeu o título de Nova Bíblia Viva, lançada recentemente, em 2014.

Empreendida em comum acordo entre a Sociedade Bíblica Internacional e a Editora Mundo Cristão, brasileira, a nova edição reconhece, em primeiro lugar, que a língua portuguesa do Brasil é dinâmica, como todos os idiomas modernos, e muda de modo incremental e constante de acordo com os hábitos de uso do público que fala, lê, ouve e escreve. Percebeu-se que, a despeito dos esforços para produzir uma Bíblia que incorporasse a linguagem do povo, na Bíblia Viva havia elementos de linguagem que já eram ultrapassados no novo século e milênio. O que era moderno e comunicativo no início dos anos 1980 já não era necessariamente tão expressivo no Século 21. Sentiu-se, portanto, a necessidade de fazer um novo esforço, agora para trazer a Bíblia efetivamente para o Século 21.

Em segundo lugar, sentiu-se a necessidade de trazer algumas opções semânticas e sintáticas da primeira edição a um alinhamento maior com as línguas originais das Escrituras. Como resultado, a Nova Bíblia Viva continua tão simples e fácil de entender como antes, mas agora está ainda mais fiel aos manuscritos originais.

Nesta nova versão revisada, reconfigurada para os dias atuais, a diagramação também é mais moderna. Na edição anterior, a indicação de versículos seguia a lógica da unidade de pensamento. Em vez de indicar versículos individuais, era feita a sinalização de blocos de versículos (ex.: 1-4, 12-15). Na Nova Bíblia Viva, a divisão em parágrafos adequados foi mantida, mas foram inseridos os números de versículos de acordo com a divisão tradicional. Houve também a escolha de uma nova fonte, sem serifa, para maximizar a quantidade de texto por página e ao mesmo tempo tornar mais agradável a experiência da leitura.

V. A (Nova) Tradução para a Linguagem de Hoje (TLH/NTLH) (1988)

A história da Bíblia na Linguagem de Hoje começou, no Brasil, em 1973, sob os auspícios da Sociedade Bíblica Brasileira, quando foi publicado o Novo Testamento. Antes disso, já haviam sido publicadas traduções semelhantes em outras línguas, como espanhol (“Dios Habla Hoy”) e inglês (“Good News Bible”, depois chamada de “Today’s English Version”). Estas são traduções que seguem o princípio de equivalência dinâmica ou funcional, em que o tradutor não adota uma “consistência cega”, ou seja, leva em conta as palavras do original, mas não esquece o que elas significam dentro de diferentes contextos.

Além de ser uma tradução dinâmica, a Bíblia na Linguagem de Hoje é, também, uma tradução em “língua comum”. Não se trata, em si, de linguagem simples (embora acabe sendo isso também), mas da língua que é comum à maioria dos falantes do português do Brasil, hoje.

É a linguagem que os mais simples conseguem entender (embora não seja vulgar ou gramaticalmente errada), e que os eruditos podem aceitar (por ser nobre e correta). A língua comum é compreensível à maior parte da população brasileira, tanto em termos geográficos (Norte a Sul, Leste a Oeste) quanto educacionais (das pessoas mais simples às mais cultas).

Na prática isto significa que, enquanto uma tradução como a de Almeida faz uso de mais de 8 mil termos diferentes, na Bíblia na Linguagem de Hoje esse número cai para a metade: em torno de 4 mil vocábulos diferentes, em toda a Bíblia. Isto faz com que a tradução seja clara e fácil de entender para a maioria dos falantes do português no Brasil.

Acima de tudo, a Tradução na Linguagem de Hoje foi feita, não para os líderes e pastores das igrejas, mas para pessoas que não tem o hábito de ler e que tiveram pouco ou nenhum contato com a Bíblia. É a ferramenta ideal para a evangelização.

Depois do lançamento do Novo Testamento, em 1973, a comissão de tradução deu continuidade à tradução do Antigo Testamento, que foi publicada em 1988. Logo em seguida, a comissão tratou de fazer nova revisão do texto, especialmente do Novo Testamento. Assim, em 2000 foi lançada essa edição revisada, com o nome de Nova Tradução na Linguagem de Hoje. [27]

Do ponto de vista operacional, a versão / tradução foi desenvolvida pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil, num processo que tomou doze anos de pesquisas, buscando manter o texto com significado mais próximo aos textos originais – Hebraico e Grego. A lançada em 1988 sofreu uma revisão tão grande nos anos que se seguiram que a versão publicada em 2000 recebeu novo nome: Nova Tradução em Linguagem de Hoje – NTLH.

A NTLH é uma tradução da Bíblia em linguagem moderna e entendível em Língua Portuguesa. Lançada no ano 2000 pela Sociedade Bíblica do Brasil, essa tradução da Bíblia adota uma estrutura gramatical e linguagem mais próximas da utilizada por pessoas de baixa escolaridade no Brasil.

Pela linguagem mais simples e coloquial, a NTLH é voltada às pessoas que ainda não tiveram ou que tiveram pouco contato com a leitura bíblica clássica. De modo que se tornou uma ferramenta de evangelização por possuir um texto mais claro e facilmente compreensível, por não primar pela linguagem clássica que geralmente norteia essas traduções. A nova versão, contudo, não utiliza gírias ou regionalismos, fator que, segundo a Comissão de Tradução, não permitiu que se perdesse o estilo bíblico.

Os princípios seguidos nesta revisão foram os mesmos que nortearam o trabalho da tradução na Linguagem de Hoje. A tradução de João Ferreira de Almeida e também outras boas traduções existentes em português seguiram os princípios da tradução de equivalência formal. Já a NTLH, norteou-se pelos princípios de tradução de equivalência funcional ou dinâmica.

De todo modo, é uma tradução bastante útil por aproximar o texto bíblico da linguagem geralmente falada pelas pessoas no dia a dia [28].

As duas passagens Bíblicas que eu mencionei anteriormente (Gênesis 1:1-4a e João 3:16) têm variações agora mais significativas em relação à A-RC, à A-RA e à TB. Mas eu ainda diria que as diferenças, nesses dois casos, são mais adjetivas do que substantivas: afetam mais a forma ou o estilo do que o conteúdo ou o sentido.

Eis como ela traduz Gênesis 1:1-4a:

“No começo Deus criou os céus e a terra. A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar e o Espírito de Deus se movia por cima da água. Então Deus disse: – Que haja luz! E a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa”.

Em outro exemplo, eis como ela traduz João 3:16:

“Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.”

VI. A Nova Versão Internacional (NVI) (2000)

A Nova Versão Internacional foi publicada, completa, em 2000. É um tipo de tradução que utiliza a chamada Equivalência Formal e Dinâmica. A Editora que a publica no Brasil é Vida, mas o copyright pertence à Sociedade Bíblica Internacional [29].

A NVI é uma das mais recentes traduções da Bíblia. Foi publicada pela Sociedade Bíblica Internacional, hoje denominada Biblica, sediada em Colorado Springs, CO, EUA.

Traduzida a partir dos textos originais em Hebraico e Grego, a NVI foi produzida com os seguintes objetivos fundamentais:

Clareza: O texto foi traduzido de forma que pudesse ser lido pela população em geral sem maiores dificuldades, porém sem ser demasiadamente informal. Arcaísmos, por exemplo, foram banidos, e regionalismos, evitados.

Fidelidade: A tradução deve ser fiel ao significado pretendido pelos autores originais.

Beleza de estilo: O resultado deve permitir uma leitura agradável, e uma boa sonoridade ao ser falado em público.

O projeto de tradução para a língua portuguesa começou em 1990, com a reunião da comissão da Sociedade Bíblica Internacional, sob coordenação do linguista e hebraísta, Rev. Luiz Sayão. Inicialmente foi publicada uma versão do Novo Testamento, em 1991. O projeto foi totalmente patrocinado pela Sociedade Bíblica Internacional, ainda que o produto fosse difundido e vendido por outras instituições. A editora Zondervan, tradicional casa publicadora de linha reformada americana, de origem holandesa, conhecida publicadora de Bíblias por décadas, como a King James Version, a Berkeley Version, a Amplified Bible e, por último, a New International Version (NIV, versão internacional da NVI), teve participação na divulgação e distribuição da NVI, ainda que não em sua elaboração.

A tradução definitiva e completa em Português foi publicada em 2000, a partir das línguas originais, com base na mesma filosofia tradutológica da (NIV).

A NVI tem um perfil Protestante, e procura não favorecer nenhuma denominação em particular. É teologicamente equilibrada e procura usar a linguagem do Português atual.

O método de tradução da Nova Versão Internacional é semelhante ao da NIV: um nível de tradução intermediário entre a equivalência formal e a dinâmica. Quando o texto pode ser traduzido mais literalmente, é utilizada equivalência formal. Contudo, se o texto traduzido literalmente for difícil de entender para um leitor comum, então é feita uma tradução mais funcional, procurando trazer o significado pretendido no original para um Português natural e compreensível. Por esse motivo, em geral a NVI é mais “dinâmica” que as traduções de Almeida, porém mais “literal” que a Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

Apesar das semelhanças entre a NVI e a NIV, a versão brasileira não é uma tradução da língua inglesa, mas sim dos idiomas originais.

Notas de rodapé são frequentes na NVI. Elas trazem explicações de todo tipo e em alguns casos apresentam traduções alternativas (inclusive qual seria a tradução literal).

Todos os tradutores da NVI são aderentes ao Pacto de Lausanne: “Afirmo a divina inspiração, fidelidade e autoridade de todas as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento como a única Palavra escrita de Deus, sem erro em tudo o que afirma, sendo a regra infalível de fé e prática.”

 

NOTAS:

[1] A linha mestra para este capítulo introdutório foi dada por dois artigos da Wikipedia Brasil. Primeiro, o artigo “Traduções da Bíblia em Língua Portuguesa”, em https://pt.wikipedia.org/wiki/Traduções_da_Bíblia_em_língua_portuguesa, e, segundo, o início do artigo “Almeida Revista e Corrigida”, em  https://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_Revista_e_Corrigida.

[2] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Crítica_bíblica e https://pt.wikipedia.org/wiki/Crítica_textual. Vide, abaixo, a referência na Nota 15.

[3] Para um interessante artigo sobre pontos altos da história da tradução da Bíblia fora do Brasil e não envolvendo o Português, vide o artigo “Destaques da História da Tradução”,  no site da Sociedade Bíblica do Brasil, em http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/destaques-da-historia-da-traducao/. Esse artigo discorre sobre a Septuaginta (tradução do Velho Testamento para o Grego), a Vulgata (tradução da Bíblia inteira do Hebraico e do Grego para o Latim, a tradução da Bíblia por Lutero para o Alemão, a tradução da Bíblia para o Inglês ordenada pelo Rei Tiago (King James) da Inglaterra, e a tradução da Bíblia para o Espanhol conhecida pelo nome de Reina Valera. Essas cinco traduções da Bíblia talvez sejam as cinco mais importantes traduções da Bíblia já realizadas em toda a história.

[4] Na verdade, foi uma visita à sede da SBB em Barueri, em 21 de Dezembro deste ano (2015), a convite de seu presidente, meu grande amigo, há 55 anos (e colega no Instituto José Manuel da Conceição de 1961 a 1963), Rev. Assir Pereira, e minha confusão para fazer sentido das diversas traduções e edições da Bíblia disponíveis lá, que me motivaram a escrever este trabalho. Desde já observo que não vou discutir as chamadas “Bíblias Especializadas”, isto é, dirigidas a um público específico, como as Bíblias de Estudo, A Bíblia do Obreiro, A Bíblia da Mulher, A Bíblia do Adolescente, etc. Qualquer leitor que já tenha passado pelas lojas de material religioso cristão (especialmente protestante) da Rua Conde de Sarzedas, em São Paulo, sabe muito bem do que estou falando. Há uma multidão de edições diferentes e diferenciadas da Bíblia lá.

[5] Vide http://www.sbb.org.br/release/app-minha-biblia-sbb/. Vide também a explicação do aplicativo em formato .pdf em http://www.sbb.org.br/wp-content/uploads/2015/09/07_29_app-minha-biblia-sbb.pdf.

[6] Na realidade desconheço se a marca “Almeida” tem “appellation contrôlée” por alguma instituição. Em outros palavras, se eu fizer uma nova tradução da Bíblia e baseá-la, em algum sentido, em uma tradução Almeida “legítima”, precisarei da autorização de alguma instituição para chamar minha tradução de, digamos, “Almeida Revisada e Melhorada” (A-RM)?

[7] Vide as referências na Nota 1.

[8] O artigo sobre João Ferreira de Almeida na Wikipedia Brasil (https://pt.wikipedia.org/wiki/João_Ferreira_de_Almeida) é tendencioso e contraditório e, portanto, totalmente inconfiável. De um lado afirma que Almeida era padre quando saiu de Portugal (aos 14 anos!) e que continuou padre durante toda sua vida. Por outro lado, repete as afirmações, mais confiáveis, que coloco no corpo deste texto, que assinalam que ele era originalmente católico, sobrinho de um padre, podendo até ter estudado em escolas católicas até os 14 anos, mas que nunca foi padre, e que muito cedo se converteu ao Protestantismo, afiliando-se à Igreja Reformada Holandesa nas ilhas do Sul da Ásia. Por fim, o artigo sobre Almeida da Wikipedia Brasil tenta (sem sucesso) compatibilizar as informações contraditórias afirmando (falsamente) que a Igreja Reformada Holandesa era, na época, muito mais próxima da Igreja Católica do que do Igreja Reformada (de origem suíça). O artigo sobre Almeida na Wikipedia USA é muito mais confiável e começa dizendo, com todas as letras: “João Ferreira Annes de Almeida  . . . (1628–1691) was a Portuguese Protestant pastor” [João Ferreira Annes de Almeida . . . (1628-1691) era um pastor Protestante Português]; vide https://en.wikipedia.org/wiki/João_Ferreira_de_Almeida. A informação de que ele era pastor vai além do que me permito dizer. É preciso, por outro lado, registrar que, por ocasião do Sínodo de Dort ou Dordrecht (1618-1619) já não havia qualquer dúvida de que a Igreja Reformada Holandesa não só não era católica mas era radicalmente calvinista. Nessa ocasião, os seguidores de Jacob Arminius (os Arminianos, como vieram a ser chamados), que se consideravam calvinistas, mas não endossavam os cinco princípios representados pela palavra TULIP, que sintetizavam o calvinismo mais tradicional, foram expulsos da Igreja. Vide a esse respeito https://pt.wikipedia.org/wiki/Sínodo_de_Dort. Também é oportuno registrar que em 1619 os Holandeses capturaram Jakarta (à qual deram o nome de Batávia) e tornaram o que é hoje a Indonésia uma colônia holandesa. Jakarta passou a ser a sede da Companhia Holandesa das Ilhas Orientais no Oriente (a sede principal continuando em Amsterdam). Isso explica porque um português convertido ao Protestantismo, não encontrando ambiente propício no eminentemente católico Portugal, possa ter escolhido ir viver na Protestante Indonésia. Jakarta fica, como é sabido, na Ilha de Java, que, por sua vez, pertence ao conjunto de ilhas que constituem a Indonésia, e é hoje a capital desse país. Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Holandesa_das_Índias_Orientais.

[9] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Teodoro_de_Beza.

[10] Se Almeida realmente se tornou um pastor Protestante, pode ter sido em um seminário reformado que ele tenha adquirido esse conhecimento. Mas acho duvidoso que ele tenha sido um pastor. Vide a discussão da Nota 7.

[11] Chama-se hoje de “Baixa Crítica” a tentativa de fazer crítica textual dos manuscritos bíblicos com o objetivo de chegar, tanto quanto possível, próximo do texto original, diante do fato de muitos desses manuscritos, muitas vezes, conflitam entre si. O adjetivo “Baixa” veio a ser empregado para designar esse tipo de crítica para contrasta-la com a chamada “Alta Crítica”, que envolvia o estudo da composição literária dos livros bíblicos, sua autoria, data, ocasião e propósito, bem como sua relação uns com os outros, as circunstâncias históricas (o “Sitz im Leben”) em que emergiram, os fatores históricos que governaram sua transmissão, sua relação com outros registros históricos existentes fora da Bíblia, seu agrupamento em unidades maiores (como o Pentateuco ou os Evangelhos Sinóticos), e, finalmente, sua escolha para fazer parte do cânon.

[12] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Texto_massorético.

[13] Vide: https://pt.wikipedia.org/wiki/Textus_Receptus.

[14] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Reina-Valera.

[15] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Texto_Crítico. Vide também acima as referências na Nota 2.

[16] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Bíblia_de_Lutero.

[17] Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Bíblia_do_Rei_Jaime.

[18] Vide a referência contida na Nota 14.

[19] As informações contidas nesta seção foram baseadas principalmente no artigo “Almeida Revista e Corrigida”, em https://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_Revista_e_Corrigida. Vide também https://www.bible.com/pt/versions/212-arc-almeida-revista-e-corrigida. Também utilizei diversas edições da A-RC publicadas no Brasil, que sempre contêm uma Introdução que explica e contextualiza aquela edição.

[20] Vide http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/as-traducoes-da-sbb/almeida-revista-e-corrigida/.

[21] As informações contidas nesta seção foram baseadas principalmente no artigo “Almeida Revista e Atualizada”, em https://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_Revista_e_Atualizada. Também utilizei diversas edições da A-RA publicadas no Brasil, que sempre contêm uma Introdução que explica e contextualiza aquela edição.

[22] Para as informações dos últimos parágrafos vide http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/as-traducoes-da-sbb/almeida-revista-e-atualizada/.

[23] As informações desta seção foram baseadas principalmente no artigo “Versão Revisada Segundo os Melhores Textos”, em https://pt.wikipedia.org/wiki/Versão_revisada_segundo_os_melhores_textos.

[24] As informações desta seção foram baseadas principalmente no artigo “Almeida Corrigida Fiel”, em https://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_Corrigida_Fiel.

[25]    Vide https://pt.wikipedia.org/wiki/Tradução_Brasileira e http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/as-traducoes-da-sbb/traducao-brasileira/.

[26] As informações desta seção foram baseadas principalmente em artigos-apresentação disponíveis em http://www.mundocristao.com.br/produto/750, https://www.lojasemear.com.br/item/Nova-Biblia-Viva.html e também  http://www.espacodocristao.com.br/biblia/jovens/nova-biblia-viva/.

[27] Os parágrafos anteriores dependem de material encontrado em http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/as-traducoes-da-sbb/nova-traducao-na-linguaguem-de-hoje/.

[28] As informações desta seção foram baseadas principalmente no artigo “Nova Tradução na Linguagem de Hoje”, em  https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Tradução_na_Linguagem_de_Hoje.

[29]    As informações desta seção foram baseadas principalmente em artigo “Nova Versão Internacional”, disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Versão_Internacional.

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Escrito em São Paulo e Salto, SP, de 21 a 25 de Dezembro de 2015, por Eduardo Chaves, Professor de História da Igreja da Faculdade de Teologia de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (FATIPI).

 

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  1. Eduardo Chaves, graça e paz!

    Para você, qual a melhor (mais confiável) dessas traduções da Bíblia? Qual dessas traduções, para você, transmite melhor aquilo que o autor bíblico queria transmitir para os leitores da época? Qual tradução da Bíblia, em Português do Brasil, você usa e recomenda?

    Grato!

    Carlos Oliveira

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