“Em tudo dai graças…”

[ Transcrição de um post que comecei a publicar ontem (12/11/2017) e terminei de escrever hoje (13/11/2017) na minha Linha do Tempo no Facebook. Achei, ao terminar, que o material poderia se tornar um artigo neste blog. O sermão começou com a exibição de um slide que transcrevo a seguir. Abaixo, o post que publiquei no Facebook. ]

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Os sermões deste mês de Thanksgiving na Catedral serão todos em torno do tema da gratidão: “Em tudo dai graças”.

O Rev. Valdinei Ferreira começou o sermão de ontem (12/11/11) na Catedral Evangélica de São Paulo lembrando-se de quando foi aos Estados Unidos pela primeira vez – há mais de 20 anos. Disse que se admirou de ver tantos militares nos aeroportos e nos aviões. Era a época da Primeira Guerra do Iraque (1990-1991), e havia militares indo e vindo por toda parte.

Lembrou-se ele ainda de que, conversando com um senhor, este lhe contou que seu pai havia lutado na Guerra da Coreia, ele havia lutado na Guerra do Vietnam e seu filho estava lutando na Guerra do Iraque… Três gerações, cada uma em uma guerra diferente. E o cidadão parecia ter orgulho do fato!

Essa história serviu de gancho para uma outra história relacionada (de cuja fonte não me lembro) acerca de um casal que havia perdido seu filho na Guerra do Iraque, e que, na igreja, disse ao pastor que queria fazer uma contribuição especial em memória do filho morto em combate. E fez essa contribuição, publicamente, admirável, por de certo modo celebrar e dar graças por alguém que haviam acabado de perder.

Segue a história dizendo que, no carro, no caminho de casa, um outro homem, também membro da igreja, disse à sua mulher que, diante do que haviam presenciado, ele também estava pensando em dar uma contribuição especial à igreja em relação ao filho deles. A mulher retorquiu dizendo: “Mas nosso filho não morreu em nenhuma guerra, nem em nenhum outro lugar!” E o marido disse: “Exatamente por isso… Exatamente por isso!!!”

A citação tirada do livro de Yuval Noah Harari que ilustra este post é pertinente a essa história. Em geral nos lembramos de dar graças (aqueles que se lembram! o texto bíblico do sermão era sobre aquele solitário leproso curado, dentre dez, que havia retornado para agradecer…) quando nos ocorre algo especialmente bom: passamos num concurso, saramos de uma doença séria, saímos ilesos de um acidente grave, escapamos de um assalto em que outras pessoas morreram, deixamos de embarcar em um vôo durante o qual o avião caiu e todos morreram…

Em geral esquecemo-nos de dar graças por aquilo que consideramos normal e corriqueiro. Os fatos de que temos comida regularmente em nossa mesa, de que nossos filhos nasceram e cresceram normais, de que nós e nossos filhos pudemos estudar e o fizemos em escolas razoavelmente boas e relativamente agradáveis, de que temos ou tivemos bons empregos e/ou uma aposentadoria razoável, de que onde moramos quase nunca acontecem terremotos, tornados, e outros desastres naturais, de que vivemos felizes com quem amamos e que nos ama, etc.

Não deveríamos nos esquecer de dar graças por essas coisas que consideramos normais e corriqueiras. E não nos esqueceríamos se nos déssemos conta de quão raras são essas bênçãos, e de quão fácil é perdê-las, especialmente em momentos de crise sóciopolítica e econômica como os em que hoje vivemos aqui no Brasil…

Ou então, mesmo sem crise, um acidente de carro que acontece em um segundo pode causar a sua morte — ou, pior do que isso, pode deixar você vivo e levar as pessoas que você mais ama — ou, ainda pior do que isso, pode levar as pessoas que você mais ama porque você causou o acidente por distração sua, ou sua imperícia, ou, então, porque bebeu um pouco, achou que estava bem, e resolveu dirigir assim mesmo, não se dando conta de que tudo o que você tinha de mais precioso estava ali no carro com você…

Nossa vida, nossa saúde, e nossa felicidade são coisas frágeis, precárias, e facilmente perecíveis. Sejamos constantemente gratos por tê-las e por continuarmos a desfruta-las, quando tanta gente tão melhor do que nós deixou de tê-las ou de poder desfruta-las tão cedo…

Post Scriptum:

Em posts aqui no Facebook vivo batendo na tecla do “em tudo dai graças”… Alguém já me criticou dizendo, “você fala muito em dar graças, em ser agradecido”, mas não esclarece “dar graças e ser agradecido A QUEM?” Reconheço o problema, mas respondo dizendo que dar graças e ser agradecido em tudo é uma atitude pessoal de reconhecer que pouca coisa de bom que você tem ou recebe é resultado de esforço consciente e exclusivo seu, ou só seu, e que muita gente, que talvez faça ainda mais do que você para merecer as coisas boas da vida, não as recebe… Assim, mesmo sem explicitar o objeto de sua gratidão – se Deus e a Providência Divina, ou a Vida (como diz a canção de Violeta Parra), ou a Sorte, ou o Destino, todos nós devemos ser agradecidos pelo que somos e temos.

É isso.

Em São Paulo, 13 de Novembro de 2017

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